Como escrever a introdução da dissertação sem travar
- Alana, do Acadêmicos Anônimos

- 16 de abr.
- 3 min de leitura
A introdução é o capítulo que mais paralisa mestrandos e doutorandos. Não porque seja o mais difícil de escrever, mas porque é o primeiro. E quando você abre o documento com a intenção de começar pelo começo, o peso de tudo que ainda precisa existir cai de uma vez, por isso mesmo muita gente deixa ele lá para o final.
Essa paralisia tem um nome técnico: você está tentando escrever e avaliar ao mesmo tempo. A mente que produz e a mente que julga estão ligadas simultaneamente, e as duas se cancelam.
A boa notícia é que existe uma saída. E ela começa por entender o que a introdução realmente precisa fazer.
O que a banca espera de uma introdução
A introdução existe para situar o leitor. Ela precisa responder quatro perguntas em sequência, e quando você entende isso, o capítulo deixa de ser uma página em branco e vira uma lista de decisões:
Qual é o problema que esta pesquisa investiga? Não o tema geral, mas o problema específico: a lacuna, a contradição, a questão que ainda não foi respondida de forma satisfatória.
Por que esse problema importa? Para quem, em que contexto, com que implicações práticas ou teóricas.
O que já existe sobre isso? Uma síntese honesta do que a literatura produziu até aqui, sem fingir que você leu tudo, mas mostrando que você leu o suficiente para saber onde está a lacuna.
O que esta pesquisa faz? Objetivo geral, objetivos específicos, e uma prévia de como o trabalho está organizado.
Quatro perguntas. Quatro blocos. Uma introdução.
Por que a maioria trava antes de começar
A introdução que vai para a banca é sim a última a ser concluída. Isso porque você só sabe de verdade o que sua pesquisa fez depois que ela está feita. Mas a maioria dos orientandos sequer toca na introdução no início do processo, por ainda não ter clareza suficiente para isso. Resultado: menos clareza ainda.
A solução é escrever uma introdução de trabalho: uma versão feia, incompleta, que serve de âncora para o restante da escrita. Você não vai entregar essa versão. Você vai reescrevê-la no final. Mas ela precisa existir agora para que você consiga avançar.
Como sair do lugar em 30 minutos
Abra um documento novo, diferente do documento principal da dissertação. Isso é importante, pois a distância psicológica reduz o peso.
Responda às quatro perguntas acima em linguagem coloquial, como se estivesse explicando para um amigo que não é da sua área. Sem referências, sem formatação, sem se preocupar com o nível acadêmico do texto. Só as respostas.
Isso vai gerar entre meia página e uma página de texto bruto. Esse é o esqueleto da sua introdução. A partir daqui você reescreve, adiciona referências, ajusta o tom. Mas a estrutura já está lá.
O papel da rotina na escrita da introdução
Uma coisa que aparece com frequência nas sessões ao vivo do AA é a descoberta de que escrever em blocos curtos e consistentes funciona melhor do que maratonas ocasionais. Trinta minutos todo dia produz quase quatro horas no fim de uma semana.
Se você quer construir esse hábito, o Rastreador de Escrita do AA foi feito exatamente para isso: ele mede suas sessões, conta palavras e mostra seu progresso ao longo do tempo. Quando você começa a ver o acúmulo, para de achar que não está produzindo.
O que fazer quando você trava no meio
Travar no meio da introdução é diferente de travar no começo. No meio, quase sempre o problema é um dos dois: ou você está tentando ser mais precisa do que seus dados permitem neste momento, ou está escrevendo um parágrafo que pertence a outro capítulo.
Para o primeiro caso, escreva entre colchetes o que você quer dizer, mesmo que de forma imprecisa, e segue. [Explicar aqui a relação entre X e Y] já é melhor do que uma hora olhando para o cursor piscando.
Para o segundo caso, recorte o parágrafo, coloque em um documento de rascunho separado e siga. Ele não está errado, só está no lugar errado.
Uma última coisa
A introdução que você vai defender na banca não é a introdução que você está tentando escrever agora. É uma versão que ainda não existe, que só vai existir depois que você tiver percorrido todo o caminho.
Escreva a versão de hoje. Ela vai ser revista.
Se você quiser se aprofundar sobre como organizar o processo de escrita da dissertação como um todo, leia também Como fazer sua pesquisa dialogar com a literatura científica, um dos posts mais lidos do blog.
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